quarta-feira, 21 de março de 2012

O FIM DO BLOG E AS PLACAS DE ADVOGADOS




Aqui já há bastantes anos, dois queridos amigos meus tinham um escritório de advocacia em conjunto.
Como um deles fizesse "pouco uso" do mesmo, o outro ( infelizmente há muito que nos deixou, mas que sempre recordo com funda saudade ) fez uma " patifaria " ao amigo e colega ( este felizmente aí para as curvas, forte, façanhudo e sempre atento, lúcido e actuante ), ou seja, fez o que tinha de ser feito !...
Vai daí, e pela calada da noite, retirou e "defenestrou" a placa de advogado do colega e irmão de peito, porquanto entendia - suponho - que a mesma havia prescrito e caducado pelo não uso...
Ambos continuaram aquilo que sempre foram. Amigos e irmãos.
Foi pelo menos assim que a história me foi contada.

Ora, antes que me aconteça o mesmo e venha daí algum piedoso haeker e me defenestre, resolvi eu mesmo fazer justiça pelas próprias mãos e
Pôr fim / suspender ( ? ) por forma expressa àquilo que efectivamente já não tinha vida.
O blog está parado já desde Fevereiro do ano passado. Tal como com as pessoas, não faz sentido prolongar-lhe a vida artificialmente.

É um acto de clemência e bom senso !




domingo, 20 de fevereiro de 2011

AINDA A MOÇÃO DE CENSURA



Nada mais absurdo para a esquerda do que criticar uma moção de censura com os argumentos que a direita utiliza e que só aproveitam ao PS, viabilizando-lhe a vitimização .

E é o que por aí mais se vê, mesmo em sectores alegadamente de esquerda.
Por isso o teor da fundamentação da mesma causou, e causa, engulhos a muitos.

É que esta moção - e os mais avisados há muito que o compreenderam - tinha um alcance político que não se confinava à famigerada "bomba atómica " a que os seus detratores a pretenderam reduzir.

Perante a direita, e os angelicais fautores da sua política, ficou claro que não se lograva substituir o acidental para que tudo permanecesse na mesma. A moção não é subscritível - como, já vimos, não será -, nem pelo PSD nem pelo CDS.

Perante a esquerda empedernida ficou claro - se tanto ainda era necessário ( pessoalmente, acho que não ) - que não nos confundimos com ela. Antecipámo-nos, mas com os n/ argumentos e razões ( agora até o PC, e bem, ao que parece, a subscreve ).


Em política, como já por mais de uma vez citei, o caminho mais curto entre dois pontos não é, as mais das vezes, a linha recta, mas a curva.

E até posso equacionar que se ponha em causa a tempestividade da moção, mas nem isso me leva a não concordar com o seu anúncio e consequente apresentação .
Há imperativos que são na verdade categóricos. E era imperativo que uma vez por todas se chamasse a atenção, por forma decisiva e formal, para a política de direita e neo liberal que o PS vem tristemente praticando com o aval do PSD . Que lhe vem fazendo o trabalho sujo...
E este objectivo foi atingido.
Era cogente chamar os bois pelos nomes, sem panos quentes.


Outra coisa é estar ou não de acordo com a democraticidade da sua génese. Aí, sim, tenho reservas.

Mas isso são contas do meu rosário na qualidade de modesto militante de base do BE. E é aí, no BE, que pretendo resolver as minhas inquietações...
Mas felizmente que não tenho o rosário de outros. Que não tenho que resolver dados adquiridos como o frontal posicionamento anti-capitalista nem questões próprias de um certo centrão dos interesses, onde conjunturalmente pontifica o PS, sempre preocupado em fazer passar gato por lebre e vender uma imagem na qual já nem ele próprio se revê ( veja-se a propósito a sagrada união do PS / PSD que não deixou passar o plafond para as remunerações dos gestores públicos. Uma vergonha! )
Felizmente que não me movo em areias movediças.

Estou certo que o Bloco de Esquerda congeminou maduramente o risco que alguns chamam de entrega do poder ao PSD .
Nunca o vi embarcar em taticismos suicidários....

E não vejo, como Daniel Oliveira, qualquer complexo de inferioridade perante o PC.
Talvez ele o veja por lá ter estado, mas também aqui são contas do rosário do comentador e meu camarada.
Nem vejo outrossim qq. tentativa de contenção dos eventuais danos derivados pelo apoio a Manuel Alegre. Bem pelo contrário, reforça e estimula a confiança daqueles que são verdadeiramente socialistas. Que dos outros, não precisamos.

Somos confiáveis, não passamos a mãozinha pelo lombo de qualquer amigalhaço do Passos Coelho ( v.g. Jerónimo Martins ) ou de José Sócrates ( v.g. Jorge Coelho / Lisconte ).

Se não obstante, ainda assim se entender que esta moção se saldou numa derrota para o BE, apenas há que aprender a viver com a mesma, e retirar daí as ilações para futuro.


Mas se não estou com Daniel Oliveira nos considerandos que referi, há que ser justo, e com ele, dizer que sem o povo de esquerda que vota tradicionalmente no PS não haverá nenhuma reconstrução do espaço político à esquerda.
E a reconstrução da esquerda passa pelo Bloco.

A este propósito lembro a evocação que aqui fiz há algum tempo da memória de Fernando Valle, destacado vulto do PS, que, já centenário, dizia :
" O Bloco de Esquerda é uma esperança para mim. Quase me apetecia votar neles, só o não faço por compromissos anteriores "
Mas eu, que não tenho compromissos, continuo a trilhar este difícil caminho da esquerda no seio do BE .

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ALEGRE E CAVACO - dois percursos, dois carácteres

Breve balanço pré-eleitoral em oito itens:

  1. Quando Manuel Alegre ( MA ) era perseguido e forçado a exilar-se pela ditadura, Cavaco Silva ( CS ) assinava requerimentos ( com o "abono"  suplementar de terceiros a atestar a sua boa conduta, os quais nem sequer lhe eram exigíveis ) para o então ditador lhe permitir sinecuras !
  2. Quando MA na Voz da Liberdade, Rádio Argel, combatia o salazarismo, CS, agradecido e obrigado, obedientemente, não " fazia política" e, mais recentemente não teve uma palavra de répúdio na cena internacional perante  os insultos do Presidente checo.
  3. Quando MA se insurgia contra as políticas de direita do governo, CS cooperava estrategicamente ....!
  4. Quando MA pisa o terreno da esquerda, CS subscreve e agradece os apoios da direita, que não regateiam, pese embora alguns arrufos de namorados....
  5. Quando com MA sempre se bateu pela democracia ( pobre, mas democracia ), com CS desconhece-se até se, em romagem ao passado, não regressará às origens, assinando novos / antigos "requerimentos" à procura de sinecuras...
  6. Quando a verticalidade e honestidade política de um estão efectivamente traduzidas no seu "histórico", a do outro está no site presidencial....
  7.  Quando se trata do BPN ou da " toca do coelho", CS não esclarece, esconde e " cala a verdade" das misteriosas acções e insondáveis vivendas adquiridas com os homens da fraude do século em Portugal, seus antigos colaboradores, amigos e vizinhos.
  8. Quando ANTÓNIO VIEIRA ( CS nem saberá quem é, pois não conhece sequer o número de cantos d' Os Lusíadas ), já citado neste blog, em 1654 proferiu o célebre " Sermão aos peixes ", só por impossibilidade temporal não estava a pensar nos dias de hoje, e assim concluimos :
" ... A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande....A maldade é comerem-se os homens uns aos outros, e os que a cometem são os maiores, que comem os pequenos...."


E AQUI NESTA CAMPANHA, QUEM COME QUEM ?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

CAVACO SILVA - CAMPANHA SUJA



" Vou voltar a repetir o que está em causa: Cavaco Silva e a filha compraram ações da SLN, empresa detentora do BPN e sem cotação na bolsa. Nem poupanças no BPN, nem impostos. Ações da SLN. Estamos então entendidos? Foi definido, sabe-se lá com que critérios, que o preço dessas ações era de um euro por unidade. Dois anos depois vendeu as mesmas ações por 2,4 euros e teve um lucro de 147,5 mil euros (e 209,4 para a filha). E, ao que se sabe, vendeu-as às SLN Valor. Ou seja, na prática, a quem as tinha comprado. Ações de uma empresa que, mesmo com as contas aldrabadas, dava um lucro insignificante. Quem definiu os preços foram administradores da SLN, pessoas que lhe são próximas e que, graças a negócios deste género, enterraram um banco. "
                                                                                  -  in Daniel Oliveira - Expresso on line


Mais palavras, para quê ?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A ESQUERDA NA EUROPA - Marisa Matias, vice-presidente do Partido da Esquerda Europeia (PEE)


















Marisa Matias, eurodeputada e dirigente do Bloco de Esquerda, foi hoje eleita, por voto secreto, vice-presidente do Partido da Esquerda Europeia (PEE).

( 5 Dezembro, 2010 )



Marisa Matias no terceiro Congresso do Partido da Esquerda Europeia O terceiro congresso do PEE decorreu em Paris de 3 a 5 de Dezembro reunindo mais de 300 delegados e inúmeros convidados de várias organizações políticas, sindicais e sociais de todo o globo.



O partido da Esquerda Europeia é uma associação de partidos que agrupa actualmente 38 partidos de 30 países, que trabalham e cooperam a nível da actividade política na Europa com base nos princípios e objectivos políticos estabelecidos no Manifesto da Esquerda Europeia. A adesão de novos membros está aberta aos partidos e organizações de esquerda que se revejam nos seus princípios. Marisa Matias considera o PEE “a única força de esquerda anti-capitalista organizada a nível europeu com capacidade de organizar acções conjuntas e campanhas e de pôr em prática um programa político de acção comum”.



Por decisão do congresso, a Esquerda Europeia irá promover uma “iniciativa política dos cidadãos” propondo a criação de um fundo europeu para o Desenvolvimento Social que financie os investimentos públicos geradores de emprego, ampliando a formação, a pesquisa, as infra-estruturas úteis, e a obtenção de resultados no domínio do ambiente. Para Marisa Matias, “este fundo assume-se como alternativa ao actual fundo europeu para a estabilização financeira e à submissão aos mercados financeiros que tem levado a sucessivos planos de austeridade contra os povos da Europa”. O fundo deverá ser financiado através da tributação das transacções financeiras, mas também através da criação de moeda pelo Banco Central Europeu, não o tornando dependente do mercado.



O Tratado de Lisboa prevê, pela primeira vez, esta figura de “iniciativa política dos cidadãos” permitindo aos cidadãos sugerirem directamente legislação europeia através da recolha de um milhão de assinaturas de cidadãos de, pelo menos, um terço dos Estados-Membros. Marisa Matias considera esta iniciativa do PEE “um instrumento de acção popular e de mobilização dos cidadãos contra a própria lógica dos Tratados”, que pretende “quebrar o consenso neoliberal da austeridade” e responder “às necessidades dos cidadãos"

( in - a Matias eleita Vice-Presidente do Partido da Esquerda Europeia Esquerda )

terça-feira, 30 de novembro de 2010

FERNANDO VALLE - UM HOMEM BOM

A POLÍTICA faz-se com os afectos e com a razão.

Foi este o legado que FERNANDO VALLE nos deixa e aqui evocamos na passagem do sexto aniversário da sua morte :


" Fernando Baeta Cardoso do Valle (Cerdeira, 30 de julho de 1900 — Coimbra, 27 de Novembro de 2004, médico, político português, fundador histórico do Partido Socialista Português e maçom.

Médico de Arganil, Maçon, Republicano Socialista, uma figura incontornável da República Portuguesa. Republicano de sempre, foi um destacado opositor ao Estado Novo. Esteve no “reviralho” e nas campanhas de Norton de Matos e Humberto Delgado. Escondeu em sua casa “clandestinos” perseguidos pela Polícia Política. Atendeu na Serra de Arganil graciosamente quem procurava os seus cuidados médicos. Membro fundador do PS, quando a democracia chegou poderia ter sido o que ele quisesse - assim o disse Almeida Santos. Apenas aceitou o convite para ser Governador Civil de Coimbra, era preciso consolidar o regime democrático e Fernando Valle sabia-o bem – tinha visto cair a I República.
Quando os estudantes da Universidade saíam à rua ou vinham ao seu gabinete ouvia-os e quando necessário lembrava-lhes que não há aqui ninguém mais á esquerda que eu.
Depois voltou para sua Coja (Arganil) e continuou a exercer “Humanidade”.
No final da sua vida teve ainda força para manifestar o seu incómodo com a emergente liderança do PS. Depois de Sócrates subir ao poder não teve pejo em afirmar ao “Comércio do Porto”: O Bloco de Esquerda é uma esperança para mim. Quase me apetecia votar neles, só não o faço por compromissos anteriores.
Os seus confrades maçons dizem que partiu para o Oriente Eterno. Há quem diga que permanece vivo na memória dos homens e mulheres que, como ele, teimam em cultivar a Fraternidade."
                        ( apud Wikipédia c/ sublinhado n/ )

[ Homenagem a um HOMEM BOM - familiar próximo de um querido amigo meu, o Dr. Baeta da Veiga - cujo exemplo não pode deixar de ser lembrado com a saudade que só os maiores nos deixam.
O sublinhado do texto citado não pretende qq. "apropriação" abusiva de um vulto engagé em quadrante partidário diverso, mas tão somente evidenciar a abertura de espírito, a razão e os afectos daqueles que são efectivamente grandes. ]

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"OS DONOS DE PORTUGAL"




Aqui fica esta sugestão de leitura.
A não perder !


















"... Descobrimos que os Mello e Champallimaud são a mesma família, que também se cruzam com os Espírito Santo, com os Pinto Basto, com os Ulrich”

E que nos últimos trinta anos de governo,

"...um em cada cinco dos ministros e dos secretários de Estado no poder passou pelo BCP e um em cada dez pelo BES”.

 “Estas são... as famílias que detêm o essencial do poder económico português".

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

CANIÇO POR FORA... AÇO POR DENTRO







( bernardino machado )






O meu primo Manuel Machado Sá Marques teve a amabilidade de me facultar a caricatura de RAPHAEL BORDALO PINHEIRO que havia referido no post anterior.
Aqui fica.
Obrigado, Manuel.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A ACTUALIDADE DO PENSAMENTO DE BERNARDINO MACHADO




















Em tempos de Comemorações da República, é incontornável evocar a figura de BERNARDINO MACHADO.

Político, estadista, pedagogo, cientista, BERNARDINO MACHADO dedicou toda uma vida, quase centenária, e até ao fim dos seus dias, num ingente e abnegado esforço de cidadania e civismo que nem as agruras de dois exílios o fizeram esmorecer.

Bem pelo contrário, foi ao longo do segundo exílio,de cerca de 14 anos, que após o 28 de Maio, este ideólogo da 1ª República dirigiu a partir de Espanha, inicialmente na Galiza , em Santa Tecla ( para não perder de vista o seu País ) e depois de França - sempre rodeado de tantos outros vultos, entre os quais Aquilino Ribeiro e Jaime Cortesão, então igualmente exilados - alguns dos mais certeiros ataques à ditadura, mostrando toda a sua têmpera, agora de Resistente.

Salazar, o pigmeu de Santa Comba mancomunado com Franco e incomodado pela proximidade geográfica de B.M., de tal forma o temia, que o obrigou a um novo exílio - um exílio dentro do exílio -, e conseguiu que o falagista o enviasse para longe da fronteira. Primeiro, para a Espanha profunda e, mais tarde, com o advento da Guerra, mas agora a conselho de correlegionários seus, para França.

B.M. é provavelmente mais conhecido como estadista e político, mas o seu exemplo de pedagogo, cientista e RESISTENTE num contínuo e persistente ataque à ditadura salazarista não é certamente o menos relevante.
Bem pelo contrário.

Toda a sua vida é um notável exemplo de resistência, que só vamos encontrar em outros registos políticos.
Falecido em 1944, não teve já a felicidade de, 30 anos volvidos, ver o 25 de Abril .

O seu magistério de RESISTENTE deixou contudo um lastro de pedagogia, criando efectivas raízes éticas e políticas.

Falamos de um Homem de antes quebrar que torcer e que alguém na sua época caricaturava assim : BERNARDINO MACHADO, caniço por fora, aço por dentro !

E não falam aqui os afectos de um dos seus seus inúmeros netos, mas a cogência e actualidade da reabilitação da 1ª República nos seus valores, os mais generosos, e na pessoa de um dos seus mais ilustres.

De resto, a evocação da figura de B.M., felizmente, tem ainda sido mantida viva por muitos, e desde logo por outros seus netos, entre os quais me permito nomear apenas alguns dos que ainda estão entre nós, o  Manuel Machado Sá Marques ( cfr. o seu precioso blog - http://manuel-bernardinomachado.com/ ) e Elzira Machado Rosa ( a grande impulsionadora do museu BERNARDINO MACHADO em Famalicão - cfr. http://www.bernardinomachado.org/ ).

Pela incontornável actualidade que transporta, nada mais oportuno do que reler a sua obra de que retirei, quase ao acaso, dois pequenos extractos.

No opúsculo " A SOCIALIZAÇÃO DO ENSINO ", discurso que pronunciou na abertura da sessão inaugural dos " Cursos para Operários" do Instituto de Coimbra, a 1 de Fevereiro de 1897, ainda em plena monarquia, já então ensinava:

" ... Assim como a lei tenta defender da doença e da ignorancia o filho do proletario, assim deveria tambem proteger a creança abastada contra a atrophia moral "

“... Numa palavra, que todos os soldados possam aspirar ao generalato, e não haja official superior que não tenha passado pelas fileiras ! "


E ainda, do texto "Eleições", de 3 de Julho de 1921 - extraido de "DEPOIS DE  21 DE MAIO " ( este há pouco transcrito no referido blog do m/ primo, Sá Marques ) :


" Os partidos não se imobilizam. Transformam-se incessantemente, avigorando-se ou enfraquecendo-se, crescendo ou decaindo, quando mesmo não são lançados ao ostracismo. Grupos, que surgem como dissidências apenas, se não são meros produtos erráticos, sempre efémeros, de vãs discórdias, se os alenta uma clara finalidade de interesse público, podem tornar-se preponderantes.A vida de uma colectividade assenta inteiramente na sua idoneidade para encarar e resolver os altos problemas pendentes. E é o que a sagra no conceito nacional.
O rotativismo é afinal, uma ditadura a duo."

A impressionante clarividência e actualidade deste homem !
"O rotativismo é afinal, uma ditadura a duo."
Parece escrito a pensar no Portugal de hoje.


Transpondo para os nossos dias,  não resisto a retirar,também eu, algumas conclusões :

1º - Um partido que se pretende de esquerda, não pode alienar os seus valores e diluir-se na direita.
2º - Um partido de esquerda não resolve os problemas do País com dissidências erráticas internas e sem expressão exterior. Deve unir-se, cerrar fileiras e falar a uma só voz. Com a voz da ESQUERDA !
3º - Os altos interesses do País não se resolvem com as esmolas da Comunidade Europeia, mas com a luta pela profunda modificação das instituições e das instâncias comunitárias e internacionais por forma a transformar a " esmola " em "solidariedade", e
4º - Não permitir que na pobreza reinante, a ingerência do capital, vazadouro ideológico do niilismo, transforme os interesses dos banqueiros nacionais ( mandatários dos verdadeiros mandantes - a alta finança internacional ) no interesse do País.
5º - E um homem de esquerda não deve ver em todos aqueles com quem não concorda, mas que se revêem na esquerda, apenas petits Gavroches e  assim enveredar pela ditadura a duo.
6º - E já agora..., a esquerda vota para a Presidência da República em  MANUEL ALEGRE.
       Com poesia e com os pés bem assentes na terra !

sexta-feira, 9 de julho de 2010

PS + PSD + CDS vs. PS+ BE + CDU






( homenagem a MANUEL ALEGRE )




Há para aí uns senhores que passam a vida a perorar contra uma maioria de direita no parlamento.

Dou-lhes razão !

Mas que fazem para a contraditar ?
Dizem que o BE + CDU, por si só, não têm hipótese.

Também lhes dou razão !

Então que postulam estes senhores para viabilizar a tal ESQUERDA ?
Aliam-se, conforme as circunstâncias, ao PSD e/ ou ao CDS.
É um facto. Historicamente comprovado.

É pois caso para perguntar :
Será que o PSD e o CDS lhes oferecem as garantias que os outros não dão ?
Se assim é..., que expressamente o digam e expliquem.

É que eu, cá por mim, não consigo entender...
E não consigo entender como se opta por uns arranjinhos com o Portas e o Passos Coelho, quando se tem ali mesmo à mão partidos de ESQUERDA, que não vendem a cara por um prato de lentilhas ( no caso, pelo neo liberalismo da miséria, dos Pacheco Pereiras e dos Lobo Xavieres ).

Sobram por último e apenas as desconfianças de genuinidade democrática ou os preconceitos ideológicos do tempo da maria cachucha ....

E assim sendo, só podemos concluir uma de duas :

Ou afirmam, uma vez por todas, preto no branco, que o hemisfério esquerdo da AR é totalitário ( exceptuando, está bem de ver, eles próprios, o PS.... - que é deles que falamos ) ;

Ou ganham juízo, e considerem, uma vez por todas também, que Estaline não está nos corações da esquerda e que os preconceitos não passam afinal disso mesmo, de preconceitos...

Sem laivos de " Carmelindas Pereiras "..., sentem-se à mesa, e preservando identidades próprias, conversem e vejam onde está o neo liberalismo.

Aprendam com a direita....

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O NEO LIBERALISMO, O PS E DURÃO BARROSO











O presidente da Comissão Europeia, Dr. DURÃO BARROSO, todo ufano, em Bruxelas, dixit :

" A posse das golden shares por parte do Estado Portugês na PT é uma restrição não justificada à livre circulação de capitais...." ( sic )

O PS votou neste senhor presidente.
Ele agradeceu !

MAS HÁ LIMITES !
Para o bom senso, p/ o decoro e até para o pudor...
Quanto ao PS , infelizmente há muito que estamos conversados ( votou, em quem ? ) ...
Quanto ao PSD, que se esperava, que esperava o PS ?

Permito-me pois uma vez mais chamar a atenção de Boaventura Sousa Santos do m/ anterior post citando " O FASCISMO FINANCEIRO"

Nada a fazer com esta hipocrisia do arco governativo.

E o PS continua a não acreditar em bruxas. Mas sem razão, porque
Como se vê, que "las hay, las hay!"...
Depois, continuem a chamar de "esquerdistas" e anatematizem todos os que não comungam desta desgraçada ideologia neo liberal transnacional e apostrofem os que a denunciam em tempo e nos locais certos.


E por isso, há muito a fazer !

Partidos, como o BE, não acreditam em bruxas.
Sabem que existem. Ponto final.

terça-feira, 22 de junho de 2010

"O FASCISMO FINANCEIRO"







É já a segunda vez que este blog regressa ao Prof. BOAVENTURA SOUSA SANTOS.

É um nome a reter.

Tem-nos sempre oferecido uma análise isenta e rigorosa, mas igualmente sempre empenhada, sobre este país, esta europa, este mundo.

O seu pensamento é um contributo incontornável de que a nossa cidadania política não pode abdicar nem escamotear .
Há pois que estar atento à sua obra.

E não apenas àquela que, dispersa, nos vai deixando pelos sites, jornais e revistas, como é o caso do texto que, com a devida vénia, aqui se transcreve, há já algum tempo publicado na " VISÃO" de 06 de Maio de .2010 :

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Há 12 anos publiquei, a convite do Dr. Mário Soares, um pequeno texto (Reinventar a Democracia ) que, pela sua extrema actualidade, não resisto à tentação de evocar aqui.Nele considero que um dos sinais da crise da democracia é a emergência do fascismo social. Não se trata do regresso ao fascismo do século passado. Não se trata de um regime político, mas antes de um regime social. Em vez de sacrificar a democracia às exigências do capitalismo, promove uma versão empobrecida de democracia que torna desnecessário e mesmo inconveniente o sacrifício. Trata-se pois de um fascismo pluralista e, por iso de uma forma de fascismo que nunca existiu. Identificava então cinco formas de sociabilidade fascista, uma das quais era o fascismo financeiro. Retomo o que então escrevi.

O fascismo financeiro é talvez o mais virulento. Comanda os mercados financeiros de valores e de moedas, a especulaçãofinanceira global, um conjunto hoje designado por economia de casino. Esta forma de fascismo social é talvez a mais pluralista na medida em que os movimentos são o produto de decisões de investidores individuais ou institucionais espalhados por todo o mundo e, aliás, sem nada em comum senão o desejo de rentabilizar os seus valores. Por ser o fascismo mais pluralista é também o mais agressivo, porque o seu espaço-tempo é o mais refractário a qualquer intervenção democrática. Significativa, a este respeito, é a resposta do corretor da bolsa de valores quando lhe perguntavam o que para ele era o longo prazo : " Longo prazo para mim sõ os próximos dez minutos ". Este espaço-tempo virtualmente instantâneo e global, combinado com a lógica de lucro especulativa que o sustenta, confere um imenso poder discricionário ao capital financeiro, praticamente incontrolável apesar de suficientemente poderoso para abalar, em segundos, a economia real ou a estabilidade política de qualquer país

A virulência do fascismo financeiro reside em que ele, sendo de todos o mais internacional, está a servir de modelo a instituições de regulação global crescentemente importantes, apesar de pouco conhecidas do público. Entre elas, as empresas de rating, a empresas internacionalmente acreditadas para avaliar a situação financeira dos Estados e os consequentes riscos e oportunidades que eles oferecem aos investidores internacionais. As notas atribuidas - que vão de AAA a D - são determinantes para as condições em que um país ou uma empresa de um país pode aceder ao crédito internacional. Quanto mais alta a nota, melhores as condições.

Estas empresas têm um poder extraordinário. Segundo o colunista do New York Times, Thomas Friedman, " o mundo do pós guerra fria tem duas superpotências: os EUA e a agência Moody's . A " Moody's é uma dessas agências de rating, ao lado da Standard and Poor's e Fitch Investors Services. Friedman justifica a sua afirmação acrescentando que " se é verdade que os EUA podem aniquilar um inimigo utilizando o seu arsenal militar, a agência de qualificação financeira Moody's tem poder para estrangular financeiramente um país, atribuindo-lhe uma má nota"

Num momento em que os devedores públicos e privados entram numa batalha mundial para atrair capitais, uma má nota pode significar o colapso financeiro do país. Os critérios adoptados pelas empresas de rating são em grande medida arbitrários, reforçam as desigualdades no sistema mundial e dão origem a efeitos perversos: o simples rumor de uma próxima desqualificação pode provocar enorme convulsão no mercado de valores de um país.. O poder discricionário destas empresas é tanto maior quanto lhes assiste a prerrogativa de atribuirem qualificações não solicitadas pelos países ou devedores visados. A virulência do fascismo financeiro reside no seu potencial de destruição, na sua capacidade para lançar no abismo da exclusão países pobres inteiros.

Escrevia isto a pensar no Terceiro Mundo. Não podia imaginar que o fosse recuperar a pensar em países da União Europeia .

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quarta-feira, 16 de junho de 2010

O CENTENÁRIO OU O CINQUENTENÁRIO DA REPÚBLICA ?...



Existiu República durante 48 anos de Salazarismo ?


Ou se preferirem, existiu República durante a ditadura, o fascismo, o protofascimo, a censura, a pide, e a chamada "união nacional ?!....

Como alguém diria : Olhem que não !

Não se deveria antes comemorar o CINQUENTENÁRIO DA REPÚBLICA , considerando os hiatos de alguns consulados, tipo Sidonismo e Pimenta de Castro, e a triste menória da chamada "monarquia do Norte " ?

Parece-nos curial este rigor, mesmo quando as intenções são as melhores!

Aqui fica a questão .

sábado, 17 de abril de 2010

O 17 de Abril de 1969


Um pequeno hiato no m/ interregno.
Mas é incontornável e de Justiça lembrar a efeméride.
Viva o 17 de Abril !
É que o 25 de Abril é também tributário da crise académica de Coimbra.
Há datas que estão sempre presentes !

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

interregno


A vida às vezes necessita mesmo de pausas.
Voltarei ao blog logo que puder.
Apesar de convicto de lhes proporcionar assim um alívio, as minhas desculpas aos visitantes.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ainda as uniões de facto : a esquerda e a direita

.












Está novamente aberta a questão das uniões de facto.
Não vou sequer indagar da bondade, ou não, do veto de antanho ( cfr. infra nota 1 )

Interessa-me mais saber se a "questão" das uniões de facto separa ou não as águas entre a direita e a esquerda.

Se estamos em face de um assunto transversal, "não ideológico" onde estes conceitos, esquerda / direita, não relevam, como pretende o politicamente correcto. Ou não !
Propendo a considerar que a questão ainda divide estas famílias políticas .
E porquê ?

Vejamos sumariamente o historial mais recente.
A ultra direita salazarenta empenhou-se durante mais de quatro décadas em tentar incutir nas consciências as excelsas virtudes do casamento por oposição às nefandas e imorais uniões de facto. Uniões de facto contudo que sempre "tolerou" quando estavam em causa os apaniguados do regime, os mandantes e os seus serventuários .
Depois, com o 25 de Abril, a liberdade permitiu c/ a introdução do divórcio "legalizar" aquelas uniões existentes fora do casamento, que Salazar não conseguia impedir. Eram um "facto"...
Mais recentemente, e ainda em nome da liberdade, foram "legalizadas" as uniões de facto em si mesmas, independentemente do divórcio e casamento.
E sempre em nome da liberdade !
E porquê ?

Porque a LIBERDADE está no ADN da esquerda !
E porque a direita, avessa à liberdade, sempre olhou p/ as uniões de facto, não como um "bem" em si mesmo, mas como um "tumor" social.
É que a direita enfoca e aborda esta questão da perspectiva dos "egoísticos interesses patrimoniais" subjacentes, ou seja :
O que a direita pretende, e sempre pretendeu, é acautelar o património, a conjugalidade e a herança dos dinheiros e dos bens dentro das "famílias privilegiadas", sejam elas os Melos sejam os Espíritos Santos.

E quando desta perspectiva patrimonial, o casamento não era aconselhável e os afectos se sobrepunham, então a direita tolerava as uniões de facto às tais "famílias", mas só a estas.
E sempre com o mesmo objectivo: não permitir que o deserdado ficasse com o dinheiro dos seus. Pois é claro que sempre houve as grandes paixões camilianas a furar o esquema, mesmo em tempos de casamento católico indissolúvel e de regime de comunhão geral de bens supletivo ...

Bem, mas o que ao caso importa é que a comunhão dos afectos e a sua consolidação institucional, dentro ou fora do casamento, era-lhes indiferente .
O que interessava era a "família dos dinheiros"... e depois, se possível, juntar ao útil o agradável.
Ora,
Tenho para mim que a esquerda deve aqui e neste conspecto ser norteada por outra perspectiva, a da liberdade .
E daí decorrem naturalmente consequências.

O que a esquerda quer, ou deve querer, é reconhecer e encontrar outros espaços de afectos que acautelem aqueles que não pretendem casar, civil ou religiosamente.
E para tanto, basta que a união de facto seja encarada como isso mesmo, um espaço de afectos com a dignidade correspondente
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Assim,

Legislar para além disto, transformando a "união de facto" num sucedâneo do "casamento" com direitos e obrigações, designadamente patrimoniais, parece-me um contrasenso e um absurdo.
É ser mais papista que o papa...
Por que carga de água meter à força, à força da lei, os unidos de facto dentro de um espartilho, de um conceito e uma realidade jurídico-patrimonial que os próprios não querem ?!
Pois que se o pretendessem, tinham casado....

Por outro lado, é claro que
O Estado não pode alijar as suas responsabilidades na regulamentação da vida dos cidadãos, e desde logo dos agregados familiares, célula infra estrural do mesmo.
Ao Estado, enquanto tal, cumpre-lhe defender os interesses daqueles, oferecendo-lhes as ferramentas necessárias, e em particular as económicas e sociais.
Mas não, obrigando-os a assumir estatutos pesssoais e patrimoniais que não querem.
Pois que se o pretendessem, tinham casado...

Quando se fala de união de facto estamos a falar em viabilizar legalmente um outro espaço para a vivência dos afectos com a LIBERDADE que escolheram.
Não impondo baias nem constrangimentos, pois o Estado tem também que estar junto de cada cidadão individualmente, protejendo-o, viva ele em união de facto ou não.
É isso a LIBERDADE DA UNIÃO DE FACTO.

A união de facto significa dignificar o estatuto daqueles que não pretendem casar, mas cujos afectos encontram o seu espaço próprio na vida em comum. Não mais do que isso.
Esta questão divide pois efectivamente a esquerda da direita !


Há bandeiras que a esquerda não pode deixar cair !


Notas :
(1) Pelo exposto não creio que o veto presidencial se tenha ficado a dever, como diz o PR, a uma eventual transformação da "união de facto num ‘para-casamento’, num ‘proto-casamento’ ou num ‘casamento de segunda ordem"
Esta fundamentação é o eufemismo da mundivisão da direita.

(2) E é claro que quando falamos de uniões de facto, falamos para todos, heterossexuais e homossexuais, sendo que para estes há ainda que lhes reconhecer, e urgentemente, o estatuto do casamento.
E sempre em nome da LIBERDADE
E " Liberdade é sempre e exclusivamente liberdade para quem pensa diferente." ( Rosa Luxemburgo ) - citação retirada do blog "Tribuna Socialista" ( 05.NOV.09 )

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

esclarecimento

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Os "posts" deste blog vêm muitas vezes encabeçados por datas que não correspondem às reais. Ultimamente tenho tido o cuidado, sempre que me lembro, de datar os textos no final. Por tal facto, de natureza técnica e que ainda não consegui ultrapassar, as minhas desculpas. Tenho muito a aprender da técnica do blog. Isto se continuar a "blogar".
Sou mesmo um NABO !...
O que já muitos já sabiam, mas aqui fica a auto crítica ( 28.OUT.09 ).
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"O hipnotizador" - por Boaventura Sousa Santos

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Publicado na Visão de 22 de Outubro de 2009 sob o título " O hipnotizador ", Boaventura Sousa Santos oferece-nos um artigo incontornável sobre Barack Obama.

Com a devida vénia, pese embora o incondicionalismo de Mário Soares ( mais "obamista" que Obama ), impõe-se a respectiva transcrição ( na íntegra, salvo um pequeno extracto inicial ) para cuja reflexão aqui deixo o convite :

" ..... O mundo (não todo, mas uma boa parte) vive hoje em estado de hipnose e o hipnotizador é Barack Obama (BO). A hipnose consiste numa mudança radical de percepção sobre o que se passa no mundo sem que na realidade haja razões para sustentar tal mudança. Em que consiste a mudança e donde provêm os poderes hipnóticos de Obama? O que se passará quando o estado de hipnose desvanecer?
A mudança de percepção ocorre em diferentes áreas.

A crise financeira global. Mudança: as medidas corajosas de BO para regular o sistema financeiro e assumir o controle de empresas importantes fez com que a crise fosse ultrapassada e a economia retomasse o seu curso. Realidade: BO injectou montantes astronómicos de dinheiro dos contribuintes nos bancos e empresas à beira do colapso sem assumir o controle da sua gestão; não introduziu até agora nenhuma regulação no sistema financeiro; prova disso é o regresso do capitalismo de casino à Wall Street com o banco Goldman Sachs a registar lucros fabulosos obtidos através dos mesmos processos especulativos que levaram à crise, enquanto o desemprego continua a aumentar e os americanos continuam a perder as suas casas por não poderem pagar as hipotecas.
O regresso do multilateralismo. Mudança: BO cortou com o unilateralismo de Bush e os tratados internacionais voltaram a ser respeitados pelos EUA. Realidade: as recentes negociações de Banguecoque, que deveriam levar ao reforço do frágil Protocolo de Kyoto sobre as mudanças climáticas, conduziram, por pressão dos EUA, ao resultado oposto com a agravante de terem atenuado as responsabilidades globais dos países desenvolvidos, os grandes responsáveis pela degradação ambiental; os EUA, que não assinaram a Declaração de Durban contra o racismo, auspiciada pela ONU em 2001, voltaram a retirar o seu apoio à declaração sobre a revisão da declaração de Durban elaborada na reunião da ONU de Abril passado em Genebra, arrastando consigo vários países europeus; os EUA desautorizaram o corajoso relatório do Juiz Goldstone sobre os crimes de guerra cometidos por Israel e o Hamas durante a invasão israelita da faixa de Gaza no Inverno de 2008, e, juntamente com Israel, pressionaram a Autoridade Palestiniana a fazer o mesmo.
O fim das guerras. Mudança: BO estendeu a mão da fraternidade e do respeito ao mundo islâmico e vai pôr fim às guerras do Médio Oriente. Realidade: sem dúvida, houve mudança de retórica, mas Guantánamo ainda não encerrou; os generais dizem que a ocupação do Iraque continuará por muitos anos (ainda que os soldados sejam substituídos por mercenários); os pobres camponeses afegãos continuam a ser mortos "por engano" por bombardeiros covardemente não tripulados e as mortes estendem-se já ao Paquistão com consequências imprevisíveis; a burla da ameaça nuclear iraniana continua a ser propalada como verdade; no passado dia 10 de Setembro, BO renovou o estado de emergência, declarado inicialmente por Bush em 2001, sob o pretexto da continuada ameaça terrorista, atribuindo ao Estado poderes que coarctam os direitos democráticos dos cidadãos.
As bases militares na Colômbia. Mudança: sem precedentes, BO criticou o golpe de Estado nas Honduras, o que dá garantias de que as sete bases militares a instalar na Colômbia são exclusivamente destinadas à luta contra a droga. Realidade: BO criticou o golpe mas não lhe pôs termo nem retirou o seu embaixador; o alcance dos aviões a estacionar na Colômbia revelam que os verdadeiros objectivos das bases são 1) mostrar ao Brasil que, como potencial regional, não pode rivalizar com o EUA, 2) controlar o acesso aos recursos naturais da região, nomeadamente da Amazónia, 3) dissuadir os governos progressistas da região a terem veleidades socialistas mesmo que democráticas.
Donde provém o poder hipnótico de BO? Da insidiosa presença do colonialismo na constituição político-cultural do mundo. O Presidente negro de tão importante país dá aos fautores históricos do racismo no mundo contemporâneo o conforto de poderem espiar sem esforço a sua culpa histórica, e dá às vítimas do racismo a ilusão credível de que o fim das suas humilhações está próximo.
E o que passará depois da hipnose? BO está a preparar-se meticulosamente para governar durante oito anos, fará algumas reformas que melhorarão a vida dos americanos, ainda que ficando muito aquém das promessas (como no caso da reforma do sistema de saúde) e sem nunca pôr em causa a vigência do Estado de mercado; evitará a todo custo "mexer" no conflito Israel/Palestina; manterá a América Latina sob apertado controle; agradará em tudo à China, tal o medo que ela deixe de financiar o American way of life; deixará o Irão onde está e, se puder, sairá do Afeganistão; tudo isto num contexto de crescente declínio económico dos EUA em parte camuflado pelo aumento das despesas militares algumas delas orientadas para o controlo de conflitos internos "


( "O hipnotizador" - por Boaventura Sousa Santos - sic c/ negrito n/ ) - 28.OUT.09
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

ALBERTO MARTINS - um querido amigo

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É esta a imagem de um irmão que não esqueço e que, sempre que posso, tão poucas vezes !, lá estou com ele a cultivar o jardim da amizade.

Afonso Lopes de Oliveira dizia : " Rema, rema sempre, mesmo contra a maré"

Eu sei, Alberto, que há "impossíveis" com que só os amigos sonham e esperam dos seus amigos ....

Mas é por isso mesmo que espero de ti o imposssível :

Governa à esquerda, ainda que no PS .

( 26.OUT.09 )
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Lampedusa e Visconti

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Porque será que os resultados autárquicos na Câmara de Leiria me fizeram lembrar " IL GATTOPARDO" de LAMPEDUSA ?

É que uma vez mais a história se repete. E uma vez mais como comédia.

e tudo mudou para que tudo ficasse na mesma ...

Também os Garibaldi e Mazini do n/ tempo muito têm a aprender com Tancredi, sobrinho de Don Fabrizio, o lúcido Príncipe da Casa de Salina.

Vou rever "O Leopardo" de Luchino Visconti . ( 14.OUT.09 )
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P.S. - Procedeu-se à alteração do autor da citação ( não o Prícipe da Casa de Salina, como por lapso se referia, mas o sobrinho, D. Tancredi ), como ora fica rectificado ( 26.OUT.06 )
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